A demissão de Talia Jane e as vantagens competitivas sustentáveis


Você já ouviu falar em uma mulher chamada Talia Jane? Não, ela não é nenhuma nova guru do mundo dos negócios (afinal, quem precisa de mais?). Talia Jane é uma atendente da Yelp que foi demitida por publicar na internet uma carta polêmica para o CEO da empresa. Muitas análises foram feitas com base no fato de Talia Jane pertencer a uma geração que se acha especial, que quer ter sucesso rapidamente e etc.. Gosto muito do assunto psicologia, recursos humanos e afins, mas para mim o mais importante, neste caso, está na análise estratégica da situação.

No fim das contas, Talia Jane estava reclamando que ganhava pouco, e achava que merecia ganhar mais. É um direito de todo ser humano (e, pelas minhas observações como consultor, um sentimento quase universal :)), mas será que Talia Jane realmente "merecia" ganhar mais?

Existe uma lei inescapável no mundo dos negócios que diz mais ou menos assim: "Em um mercado perfeitamente competitivo, é impossível alcançar lucros reais". Traduzindo: se todo mundo consegue fazer algo, não dá para ganhar dinheiro com aquilo.

No âmbito das empresas, significa que se a empresa atua em um mercado em que é fácil de entrar, das duas uma: ou o mercado já não dá dinheiro para ninguém ou em breve passará a não dar dinheiro para ninguém. Simples assim! Pois se está dando dinheiro e é fácil de entrar, muitas empresas continuarão a entrar no mercado até que o número de concorrentes seja tamanho que as promoções e brigas por novos clientes corroerão as margens de lucros de todos.

No âmbito dos trabalhadores, o mesmo se aplica: se a função que você exerce qualquer um poderia exercer, então o excesso de oferta de mão de obra corroerá os salários de todos. Este é o caso, por exemplo, dos porteiros dos prédios. As únicas formas de se evitar isso é exercer uma função que exija um grande investimento de preparação e/ou esteja protegida por alguma lei que limite a entrada de novos trabalhadores, como o caso dos médicos.

No caso de Talia Jane, ela exercia uma função para a qual não era exigida nenhuma experiência ou preparação anterior, e poderia passar a ser exercida após um treinamento de poucas horas ministrado pela própria empresa. Portanto, caia claramente no caso do "qualquer um pode fazer" e, consequentemente, o salário dela era relativamente baixo. E ela escreveu uma carta pública ao CEO da empresa reclamando disso, dizendo que merecia algo mais pois já estava "há quase um ano e não havia ganhado nenhuma promoção!". (Negritos irônicos. Não resisti). Foi sumariamente demitida e, na minha opinião, com razão. Mesmo que ela estivesse certa, a internet não é o foro para discutir a questão.

Mas como o foco deste post é nas empresas, e não nas pessoas, qual o resumo da história? Toda empresa que quer ganhar dinheiro deve procurar ocupar no mercado uma posição estratégica que seja rentável e sustentável. Isto é, precisa procurar fazer algo que nem todos os competidores conseguem fazer, criar um diferencial competitivo sustentável.

O planejamento estratégico de uma empresa busca exatamente isso: definir uma posição estratégica rentável e sustentável para a empresa, bem como as ações necessárias para se chegar e se manter lá. Ele envolve, por exemplo, a análise das barreiras de entrada no mercado em que a empresa atua, ou a falta delas, e as consequências disso para a posição da empresa nos negócios.

Pelo jeito, o treinamento que a Yelp ofereceu a Talia Jane não incluía estes conceitos.

PS 1: Este blog adora escrever sobre Planejamento Estratégico. Caso queira se aprofundar mais no assunto, veja, por exemplo, Se (sua empresa) não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve! e É realmente possível (e necessário) convencer alguém que seu projeto é importante?

PS 2: Caso tenha interesse sobre o caso, veja a carta de Talia Jane aqui e uma matéria da Forbes sobre o assunto aqui.

#PlanejamentoEstratégico #GestãodePessoas #Economia #RecursosHumanos #Competitividade

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