Theranos, MVPs e a gestação de nove meses em seres humanos


De acordo com alguns evolucionistas, há muito tempo atrás os seres humanos passaram a caminhar sobre duas pernas para poderem carregar coisas complexas enquanto se movimentavam, e isso deu aos humanos uma enorme vantagem competitiva na natureza. Como consequência, houve uma diminuição na largura máxima possível para os quadris, incompatíveis com alta velocidade, o que fez com que a gestação humana média passasse a ser de 9 meses e não dos 21 meses necessários para uma formação cerebral completa, já que uma cabeça deste tamanho traria dificuldades no nascimento em um quadril estreito.

Interessante, não?!

Na economia de startups que domina o mundo atualmente, é quase uma unanimidade a serventia dos MVPs (Minimum Viable Product, ou Produto Mínimo Viável). Um MVP é, em poucas palavras, um produto que, apesar de não apresentar todas as funcionalidades e o desempenho esperado do produto final, é evoluído o suficiente para validar o conceito e a potencialidade, mas pode ser construído em um prazo e custo muito menor.

E o que alhos tem a ver com bugalhos? Podemos fazer uma analogia entre os MVPs e os bebês humanos. Estes últimos também demonstram toda a promessa de um poderoso produto final mas são construídos obedecendo as restrições de prazo e recursos disponíveis.

Mas, assim como entregar um bebê ao mundo logo após o nascimento, algumas empresas entregam seus MVPs ao mundo empresarial após seu nascimento, colhendo os benefícios e correndo os riscos que virão associados.

Theranos é uma startup americana fundada em 2003 e que apresentou ao mundo seu MVP: um aparelho para análise sanguínea que era (é? seria?) capaz de fazer os testes de forma mais rápida, mais barata, e usando muito pouco sangue. Em uma rápida sucessão de captação de investimentos, a empresa chegou a valer bilhões de dólares e a fundadora, Elizabeth Holmes, era uma espécie de Eike Batista do Vale do Silício.

Mas lá, como cá, o que parecia ser bom demais para ser verdade, na verdade era. Começaram a questionar a qualidade dos testes do aparelho, que foi agora praticamente banido. O futuro do MVP, da empresa e de Holmes parece agora selado.

Isso significa que a estratégia do MVP é ruim? De forma alguma! No entanto, como quase tudo na vida, é necessário se manter em mente que não basta colocar a criança no mundo. É preciso saber que ela ainda não está pronta, e nutri-la com carinho até que se transforme em um adulto saudável e de futuro.

#Startup #Inovação #PlanejamentoEstratégico

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