Quando vale a pena (e quando não vale) ir All-in na carreira ou nos negócios


Adoro jogar Poker. Em especial, de alguns anos para cá me especializei em uma modalidade de Poker chamada No-Limit Texas Holdem. Omitindo os detalhes (apesar de gostar muito do assunto), a jogada mais importante deste tipo de jogo acontece quando um dos jogadores proclama o famoso "All in!!!!".

Ao fazer isso, o jogador(a) declara aos demais membros da mesa que ele(a) está apostando todas as fichas que restam a ele(a). Assim, ele(a) está voluntariamente se arriscando a perder tudo o que tem ou a dobrar o que tem em uma única jogada (os detalhes de outros resultados possíveis ficam omitidos para fins de simplicidade).

No mundo dos negócios e em gestão de carreira, existem diversas situações similares ao All-in. Acontece, por exemplo, quando uma empresa decide basear sua estratégia unicamente em um produto, em uma só região, em um só modelo de negócios, etc. Ou, no caso de uma carreira, se especializar ao extremo em um determinada área de conhecimento de uma profissão. Ao fazer este tipo de jogada, a empresa ou o profissional estão, sem dúvida, fazendo uma jogada All-in. Burrice, certo? Por que arriscar perder tudo o que temos?

Não é bem assim. Assim como no Poker, em muitas situações de negócios e profissionais o All-in, pode fazer muito sentido, e inclusive, ser a melhor jogada a fazer. Não acredita?

Ao invés de entrar aqui com um monte de matemática para tentar convencê-lo, vou, como é de meu costume, apelar para exemplos da natureza. E, neste caso, vou apelar para um exemplo que está muito próximo de você: o seu sistema nervoso central.

Para aqueles que, como eu, não tinham nenhum interesse pelas aulas de biologia no segundo grau, vai uma revisão: o sistema nervoso central, nos humanos, é formado pelo seu cérebro e pela medula espinhal.

E qual a relação disso com o All-in? A evolução das espécies selecionou como mais bem sucedidas as espécies que foram All-in em relação ao sistema nervoso. Isso é, aquelas que centralizaram as funções de controle do corpo em áreas concentradas que pudessem ser mais bem protegidas e nas quais a comunicação pudesse ser mais rápida e com menor consumo de energia.

E isso é ir All-in? Claro que sim! Ao centralizar nosso sistema nervoso, nosso corpo evoluiu para uma situação em que qualquer dano a estas áreas causam efeitos graves, muitas vezes fatais, para todo o corpo. Os animais que não evoluíram para tal possuem menos habilidades mas, em compensação, não correm o risco de possuírem um ponto fraco tão óbvio. E, como diziam nossos avós, não devemos colocar todos os ovos no mesmo cesto, não é mesmo?!

Nem sempre. Assim, como no Poker, uma empresa quando vai All-in focando todos seus esforços em uma única aposta conquista uma série de vantagens:

  • Manda um recado aos seus concorrentes que a empresa não pode, nem se quiser, ser demovida desta direção de negócios. E que estes, caso não tenham a mesma disposição ao risco, devem buscar outro ramo para atuar

  • Deixa claro para todos os seus colaboradores o sentido de propósito e de missão. Não há plano B para ninguém. Nem para a empresa, nem para eles

  • Otimiza a utilização de todos os recursos internos (capital, marketing, etc.) para atingirem o melhor resultado possível dentro da direção escolhida

No passado, era muito raro empresas irem All-in. O mais comum era a estratégia da diversificação, em que empresas procuravam atuar em diversos seguimentos diferentes para se proteger do fracasso em um seguimento com o sucesso em outro.

No entanto, esta estratégia funciona bem somente quando não há ninguém disposto a ir All-in nestes seguimentos. Pois se alguém for, existe uma chance muito grande dele se tornar melhor que você naquilo e, com o tempo, corroer sua participação no mercado, suas margens e, eventualmente, expulsá-lo do seguimento.

A profusão da criação de startups em ramos de negócio antes impensáveis, como bancos, transporte público, seguradoras, etc., é o exemplo mais claro desta estratégia. Empreendedores vão All-in com suas ideias sabendo que o resultado daquilo será, muitas vezes, o mesmo resultado do All-in no Poker: sucesso ou a eliminação.

Empreendedorismo, assim como No-limit Texas Holdem, definitivamente não é para os fracos. Se você acha que não possui estômago para isso, melhor conseguir um emprego estável em uma empresa estável. A má notícia, neste caso, é que isso já acabou há alguns anos!

#PlanejamentoEstratégico

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